Aventuras com a fermentação!

Se acham que a fermentação se limita aos iogurtes, bolos e queijo, enganem-se!
Se deixaram uma garrafa de vinho mal tapada que criou uma película gosmenta e passou a vinagre, não deitem fora! Essa película é um SCOBY, e já vos vou explicar de que tudo isto se trata mais abaixo.

foto: Kitchn

foto: Kitchn

Se, como eu, querem produzir os vossos próprios ingredientes, acreditem que podem ir mais além dos jardins de ervas aromáticas na cozinha ou na varanda, e podem produzir o vosso próprio vinagre. Eu queria ter um papel mais activo na cozinha, na criação de alimentos que beneficiem o meu bem estar, e numa longa conversa com uma amiga minha, aprendi que o poderia fazer "brincando" com fermentação.

 

Ainda não sei muito sobre o assunto, mas se estão curiosos então acompanhem-me nesta nova jornada!

 

SCOBY - Symbiotic Culture of Bacteria and Yeast.

Traduzido por miúdos, é um disco de bactérias (foto acima) e fermento que funciona como uma película protetora do líquido onde estiver a flutuar. Aqui em Portugal, isso acontece com mais frequência numa garrafa de vinagre esquecida na dispensa por valentes meses ou mesmo anos. O mesmo também acontece com vinho mal engarrafado. Isto é, se a rolha não for boa ou se a tampa da garrafa de vinho for de plástico e estiver furada, primeiro o vinho vai fermentar e tornar-se num bom vinagre de vinho caseirinho, mas se ficar tempo suficiente esquecido a fermentar, para além do vinagre cheirosinho, o mais provável é ter um scoby a flutuar no cimo.
E o que é que podem fazer com ele? Podem usá-lo para fazer mais vinagre mas mais rapidamente, ou mesmo usá-lo para fazer kombucha. Mas isso é assunto para o próximo post, porque ainda ando a explorar mais sobre essa bebida maravilhosa.

Por enquanto, o meu foco está no vinagre de sidra cru/natural, e depois de tanto pesquisar sobre o método mais eficaz para se fazer vinagre em casa, lá meti mãos à obra. As minhas pesquisas basearam-se muito no Pinterest, para as quais dediquei um board que podem ver aqui. Li todos os pins, retirei informação que mais havia em comum entre eles para conhecer os passos básicos, e informação que me pudesse dar alternativas caso desse algum passo errado, porque deu!

Como a minha amiga tinha conseguido fermentar ananás com facilidade, eu achei que poderia começar por aí para ter mais chances de ter sucesso logo à primeira tentativa. Errado! O que correu mal foi o simples facto de ter deixado pontas das cascas de ananás a espreitar fora da água, e como não mexi o líquido todos os dias, ou não meti um copo em cima para os afundar, ganharam bolor e azedou em vez de começar a cheirar a vinagre. 

 
O ananás que azedou! Mas começou assim...

O ananás que azedou! Mas começou assim...

 

Deixei-me de atalhos e voltei a pegar na minha pesquisa no board do Pinterest. Foi então que cheguei à conclusão que iria tentar outra vez com maçãs, era a vez de tentar fazer vinagre de sidra, o vinagre mais comum e versátil e que me trará um belo scoby daqui a 1 a 2 meses. E a razão para eu querer criar um scoby é que com ele poderei fazer mais lotes de vinagre mais depressa. Já para não mencionar que após cada lote, "nasce" mais um scoby. Assim terei scobys que nunca mais acabam.

Então voltando ao que interessa, eu segui esta receita, e na versão portuguesa, e seguem os passos que dei até agora, com base neste pin:

1. Comprei 4 maçãs vermelhinhas. Lavei-as muito bem e depois cortei-as aos pedaços (cascas e o meio da maçã também são bem vindos).

2. Num jarro de vidro para pelo menos 2 litros de água, juntei água da torneira (se bem que é aconselhável água filtrada ou mineral) até atingir 2/3 do jarro, 5-6 colheres de sopa de açúcar (este ingrediente nunca é demais porque é dele que as bactérias se vão alimentar para crescerem e formarem o scoby) e mexi muito bem com uma colher grande de plástico.*

3. Adicionei as maçãs à água doce, mexi bem e tapei o jarro com 2 folhas  de papel de cozinha e um elástico para manter a boca do jarro bem isolado, mas deixando o líquido respirar.

4. Este passo tem sido feito até hoje (passa agora uma semana exata desde que segui os passos acima) e consiste em mexer o líquido com a colher de plástico a cada dois dias, para evitar o bolor tal como aconteceu com o ananás na primeira tentativa.  Repete-se este passo durante 1 a 2 semanas até o vinagre estar pronto. E isso podemos saber quando as maçãs estiverem no fundo do jarro ou quando o cheiro e sabor a vinagre forem fortes.

article-macas-vermelhas-saude-5773b0a56ac47.jpg
Frasco de 2L, colher de plástico grande, funil de plástico e um coador também de plástico.

Frasco de 2L, colher de plástico grande, funil de plástico e um coador também de plástico.

Fermentação em acção!

Fermentação em acção!

Metais aqui não entram. O metal interfere com o ácido do vinagre, causando a lixiviação dos metais pesados como o níquel carcinogênico.

Os próximos passo são bastante simples, mas só daqui a uma semana é que vou poder partilhar a minha experiência. No entanto, quando estiver no ponto, coa-se esse líquido para dentro de outro jarro de vidro e descartam-se as maçãs, ficando apenas o jarro com o vinagre.
Podia ficar por aqui, mas como o meu objectivo é conseguir criar uma mãe de vinagre, a scoby mãe, vou ter de deixar o líquido coado em repouso e esquecer-me dele por outras 3 semanas a um mês. Será que mencionei que fazer vinagre é um processo de paciência e que demora o seu tempo, dependendo da temperatura do ambiente onde é conservado? Quanto mais quente o espaço mais depressa fermentará, mas terá de ser sempre a uma temperatura ambiente. Nada de usar água quente ou aquecer o jarro de forma não natural.

Se querem continuar a ler mais sobre scobys, mãe vinagre, fermentação e talvez kombucha, fiquem atentos aos próximos post. E se por acaso estiverem a seguir os meus passo, partilhem a vossa experiência comigo! Adoraria saber como vai a vossa experiência. Basta deixarem uma mensagem na área dos comentários abaixo ou na página do Facebook, aqui:

Até breve!

Próximo post: Os próximos passos, pormenores interessantes e kombucha.

Crochê: Uma conversa entre linhas e agulhas

crochê café - Um blog muito simples - Hook of Life

De onde surgiu a vontade de te dedicares ao crochê?

Surgiu da vontade de aliviar o stress e fazer alguma espécie de terapia para a paciência, se é que tal coisa existe mesmo!

Eu sou daquelas pessoas que quando diz que vai relaxar a ver um filme, não aguenta metade do filme quieta, preciso de fazer algo mais a não ser que esteja mesmo cansada ou com sono.

Como isso me frustrava bastante, pensei automaticamente no crochê para ocupar as minhas mãos. Ainda tinha um par de agulhas guardadas do tempo em que a minha avó me ensinou os primeiros passos nesta arte. Tinha 11 ou 12 anos, se bem me recordo, e nessa altura não tinha grande interesse ou paciência para ele.


Foi difícil de começar? Houve algum momento em que tenhas tido a vontade de desistir?

No início ficava um pouco frustrada porque não entendia nada acerca de tensão de linha, o que dava um efeito bastante desalinhado aos pontos que eu fazia, eheheheh. Ora havia pontos mais apertados, outros muito soltos, outra vezes não reparava e lá dava um ponto a mais ou saltava outro… enfim. Quando comecei foi uma aventura e pêras, enquanto me agarrava a toda a paciência e insistência do mundo, mas nunca pensei em desistir.

 
O crochê surgiu na minha vida como uma forma de aliviar o stress, uma autêntica terapia, e tornou-se num hobby indispensável!
 

Como disseste, a tua avó ensinou-te o básico há uns anos atrás… então essa memória manteve-se, não foi?!

Sim e não. O básico acho que nunca se esquece, é como andar de bicicleta. Quanto ao resto, foi muito tempo passado em frente ao computador a procurar esquemas gratuitos e simples, no meu caso, como eu queria aprender a arte dos amigurumi tive de aprender a técnica do crochê em espiral.

Confesso que não foi nada fácil e no começo eu achava aquilo tão fácil que saltei um passo essencial e tentei logo fazer os meus próprios bonecos. Claro está que não correu nada bem. Aprendam com o meu erro: tenham a paciência de aprender a fazer bolas e bonecos básicos, acreditem que não é tão fácil quanto aumentar e diminuir pontos.
 

Quais são para ti os principais elementos para se desfrutar do crochê e evitar erros?

Apesar de já o ter dito e repetido várias vezes aqui, paciência, tanto para aprender como para fazer. Tempo é outro elemento importante a considerar visto que alguns trabalhos podem demorar meses a serem feitos.

Quanto às coisas mais técnicas do crochê, aqui vão alguns pontos que considero importantes:

. não é preciso fazer um projecto de cada vez. Eu gosto de combinar 2 projectos de cada vez, 3 no máximo. A ideia é fazer um projecto logo, como uma manta, e um projecto curto, como um ou vários amigurumi pequenos. 

. se fizer um trabalho longo, é aconselhável fazer pausas para descansar as mãos ou corre-se o risco de ganhar uma tendinite ou simplesmente ficar com dores nas mãos. Já me aconteceu doer tanto a mão direita que fiquei 2 dias sem fazer crochê.

. a acrescentar ao ponto acima temos a tensão da linha, quanto mais tensão lhe dermos (quanto mais a apertarmos) mais apertados ficam os pontos e menos fluido será o trabalho.

. adoro crochetar amigurumi mas não gosto tanto de costurar as partes. Aliás, costurar em geral não é bem o meu forte, assim sendo, eu prefiro fazer logo todos os meus bonequinhos de uma vez e deixar as costuras para o fim de tudo.
 

Onde vais buscar inspiração para as tuas criações?

Algumas peças surgem por necessidade, ora porque preciso de um porta-moedas ou de uma bolsa para arrumação. Noutros casos, são restos de linhas que se acumulam e então aproveito-os para fazer bonequinhos pequenos ou porta-chaves. Como vêem, o crochê é uma arte bastante versátil!

Para trabalhos mais elaborados ou quando a inspiração está um pouco turva eu uso e abuso do Pinterest. Olhem que novidade, não é!

Pois é, o Pinterest é o “canivete suíço” para muita gente e eu não sou excepção. Tenho o meu board onde colecciono ideias aos pontapés e depois tenho outro para os trabalhos que estou a fazer no momento e os 2 próximos na lista de espera. Isto é uma boa forma de não me dispersar e ter uma lista de trabalhos de acordo com a quantidade e cores de linha que tenho disponíveis.

Apesar de ainda não ter explorado o que as bancas de revistas em Portugal oferecem, enquanto vivi em Dublin descobri duas revistas: Simply Crochet, a qual subscrevo a versão digital, e a Inside Crochet. Quem quiser pode comprar as 2 revistas, mas como encontrei tanto com que me entreter com uma, achei melhor não me sobrecarregar e fontes de inspiração senão dá-me vontade de fazer tudo e não faço nada.
 

caixa crochê - Um blog muito simples - Hook of Life

Falando em linhas e materiais, podes partilhar quais são as tuas fontes de matéria-prima?

Claro que sim! Até porque gostaria de ver mais gente envolvida.

Enquanto vivia na Irlanda eu recorria a uma retrosaria perto de casa que tinha o básico e essencial: agulhas de vários tamanhos e materiais, linhas de algodão de várias medidas e cores, marcadores de pontos, contadores de voltas entre outros materiais esporádicos.

Quando descobri a revista Simply Crochet passei a ter acesso a outras fontes de compras online, sendo a minha preferida a woolwarehouse.co.uk. Eles fornecem uma variedade enorme de linhas e materiais a preços mais acessíveis o que compensa quando temos de comprar em grande quantidade. A outra vantagem é que eles vendem sempre as mesmas marcas e cores, por isso, se estiver a fazer uma manta e acabarem as linhas, posso encomendar mais.

Eu digo isto porque, desde que voltei para Portugal não encontro retrosarias perto de mim - não há nada melhor que poder ver e tocar no material que queremos, porque já se sabe quem nem sempre as fotos mostram exatamente a cor da linha -, ir à loja dos chineses é porreiro mas se for uma loja que vai vendendo novelos aleatórios, corre-se o risco de ficar com um trabalho por terminar ou arriscar continuar com uma cor parecida.

Conclusão, na minha opinião não há nada melhor do que ter uma ou duas fontes fixas para se comprar material, é da maneira que ficamos sempre a saber com o que podemos contar ou mais.

Outra loja que me esqueci de mencionar e que ando mortinha por visitar é a Retrosaria Rosa Pomar. E assim que arranjar uma desculpa para ir à Baixa passear, esta vai ser com certeza uma paragem obrigatória! Para quem como eu ainda não foi lá, pode-se deslumbrar com a loja online aqui: https://retrosaria.rosapomar.com/.
 

Numa pergunta anterior mencionaste que evitas sobrecarregar-te de inspiração. Não achas que não existe tal coisa como inspiração a mais? 

Não, de todo! Eu concordo que inspiração nunca é demais, o problema é que é mais fácil de perder o foco dos meus objectivos. O ideal é dedicar-me duas coisas de cada vez, no máximo. Isto é, um projecto longo ao mesmo tempo que faço um mais curto, ou então dedicar-me a um tema que pode se, por exemplo, só fazer acessórios de arrumação e decoração de casa.

Exemplo A: Tenho material para fazer uns cestos de trapilho que vi no Pinterest. Então, tiro medidas à quantidade de cestos ou bolsas que posso fazer com o material que tenho e combino com as sugestões do Pinterest.

Exemplo B: Estou a fazer um trabalho com um ponto básico mas que vai demorar, então procuro na revista ou no Pinterest um projecto mais desafiante, seja pelo ponto mais complexo ou pela peça em si.

Neste momento o meu foco está em criar objectos que possam ser usados: bolsas de vários tamanhos e feitios. Para cada bolsa que crio posso aplicar novas técnicas que quero aprender como: trabalhar com 2 cores em simultâneo, usar um ponto mais complexo, usar a técnica da espiral ou de filas, e por aí fora. 

Acho que poderia ficar a falar sobre este assunto o dia todo, apesar de ter noção que eu ainda só explorei a ponta do iceberg do crochê. Mas eu também não quer saber tudo, quero explorar e encontrar o meu próprio estilo.
 

E por fim, que mensagem deixas a quem te segue e que esteja a pensar em experimentar?

Experimentem! Arranjem linha e uma agulha e tentem fazer os pontos básicos. Não desistam à primeira, pensem antes que na prática é que está o ganho. Mesmo tendo tido a minha avó para me ensinar o básico, eu considero-me autodidata e evoluí sozinha. Foram muitas horas de vídeos tutoriais, experiências, contagens e exploração de esquemas já para não falar dos quantos trabalhos que não desfiz e diz vezes sem conta até acertar com as contas.

Quando se faz algo por gosto, não há como se fartar ou perder o interesse. Até me posso sentir sem vontade ou cansada uma vez por outra, mas fora isso não há como ficar longe das minhas agulhas por muito tempo.

Já agora, se alguém tiver conhecimento de comunidades de crochê em Portugal estejam à vontade para deixar os links nos comentários abaixo. Ainda não explorei muito este campo, mas nada me deixaria mais feliz do que partilhar ideias e conhecimento!

 

 

Espero que tenham gostado desta entrevista que a minha amiga M. preparou para o meu blog, na tentativa de saber mais sobre o que tanto me atrai ao crochê. - Acho que nunca escrevi tantas vezes essa palavra como agora.

Plantar, ou não plantar.

cactus - UmBlogMuitoSimples

Eu nunca me considerei muito boa com jardinagem e nunca fiz grande coisa para melhorar esta minha falta de habilidade, até ao dia em que achei o meu apartamento com falta de um bocadinho de vida.

Eu comecei a comprar kits de cactos do IKEA, e lentamente fui progredindo para uma aloe vera para decorar a secretária do escritório, e uma bromélia (não sei se o nome estará correcto), porque são plantas que não requerem muita atenção - quero dizer, não são fáceis de matar -. Supostamente, de acordo com a NASA, esta planta são óptimas para purificar o ar, daí a vontade de esplahar mais umas tantas pela casa.

cactus - UmBlogMuitoSimples
spider plant - UmBlogMuitoSimples

Durante esta aventura de "fazer o bem", eu comprei mais umas tantas plantas. São cactos na mesma, mas o desafio mudou. No dia seguinte a ter comprado mais uns cactos na appassionata flowers, fui comprar o dito desafio à Urban outfitter, um kit para plantar os meus próprios cactos, e um saco com sementes de manjericão e coentros já semeadas. Caramba! Agora é que vou ter de acertar com isto!

Para plantar as sementes do kit, eu tive primeiro de as mergulhar em água para humedecer, depois meti-as num saco e guardei-as no frigorífico por 3 a 6 semanas - estranho -. Depois tive de as enterrar a 3mm da superfície do disco de fibra de côco, para germinar, mantendo o disco sempre húmido. O resto, que já não me recordo ao certo, está escrito no manual.

Este kit tem material suficiente para tentar mais 3 vezes se esta primeira não funcionar. Não prometo nada, mas eu bem que vou tentar plantar estes meninos.

cactus UO UmBlogMuitoSimples
cactus UO UmBlogMuitoSimples
suculent UmBlogMuitoSimples

Duas coisas que aprendi sobre plantar e plantas: 

. começar com plantas fáceis de manter

. o tipo de terra usado é importante!